Texto escrito para o Blorkutando
Outro dia eu vi na televisão uma matéria que mostrava uma dessas dançarinas do funk colocando silicone nos seios. E aí a repórter perguntou: "Mas o que os homens preferem? Os peitos ou o bumbum?" e a moça respondeu: "A preferência nacional é a bunda, mas a gente coloca silicone no peito pra ter prestígio né, é por vontade de ter orgulho". Estranho, agora ter uma comissão de frente avantajada dá orgulho. Então é muito simples, vamos todas correndo ao cirurgião plástico e colocar uma prótese imensa de silicone. Daí podemos sair por aí desfilando felizes da vida.
Criamos um padrão de beleza. Afinal, hoje em dia só não é bonito quem não quer. Temos tantos recursos que eu perdi a conta. Lipoaspiração, botox, o próprio silicone e muito mais. Sentiu aquela ruga aparecendo? Corrige! Pé de galinha no canto do olho? Credo, passa um creminho. O que foi que aconteceu, ficamos com medo de envelhecer? Aí ao invés do cabelo branco e das manchinhas de pele, temos mulheres tão esticadas que chegam a causar medo. Parece que a beleza está a venda no mercado, dentro de um pequeno pote, ao lado do molho de tomate.
E sabe o que é mais engraçado? É que, se a gente parar pra pensar, nos tempos das cavernas homens e mulheres só resmungavam, usavam roupas de pele dos animais que caçavam, os cabelos eram desgrenhados e depilação... Bom, deixa pra lá. E durante a década de cinqüenta/sessenta, a mulher mais bonita era aquela que tinha mais curvas, bem diferente do modelo palito que a gente vê por aí.
Eu ainda acredito que a beleza mais bonita é a beleza natural. Senhoras e senhores, moças e rapazes, meninas e meninos: Todos nós somos bonitos. Alguns têm olhos claros que chamam atenção, outros um sorriso maravilhoso ou quem sabe um cabelo bem tratado. E lá dentro temos aquela característica que se destaca. O temperamento, a personalidade, a meiguice. E tudo isso faz parte da gente, é o que nos define. Pra que mudar? Pra perder a identidade e se integrar a uma multidão idêntica?
Imaginem o mundo só com mulheres magrelas sem celulites, com seios e bumbuns enormes. Os homens altos, sem nenhum sinal de careca, sem a barriguinha de cerveja. Imaginaram? A primeira coisa que pensaram foi: "Nossa, que maravilha". Mas vou falar a verdade agora, ia ficar tão repetitivo que ia enjoar. E antes que todo mundo pense que este meu texto é uma espécie de "We ar the world, we are the children", eu paro por aqui. Mas deixo a pergunta no ar: Vale a pena abrir mão de quem nós somos pra ser mais uma no mundo da beleza enlatada? Pensem nisso.
Postado por Camilla
Quarta-feira, dia 20 de agosto de 2008
Quando Magnolia entrou em cartaz no cinema, eu tinha onze anos. Lembro só que tinha o Tom Cruise no elenco mas que a crítica não era boa. O tempo passou e eu sempre tive aquela vontadinha de assistir. No final dessas férias de julho, eu e uma amiga jogávamos Flash Pops (Aquele site que toca trilhas sonoras e você tem que adivinhar de que filme é) e caiu a de Magnolia. Achei a música bonita e fui procurar no Youtube. A cena que eu vi - essa aqui que eu coloquei em cima - me chamou muito a atenção e eu fiquei doida pra ver o filme. Aluguei sem nem saber a sinopse, mas não esperava mesmo que fosse me tocar deste jeito.

Mudando de assunto, queria agradecer aos comentários do post passado. Me ajudou muito e me deu mais força ainda pra continuar a minha luta. E o meu post de dia dos pais entrou no Blorkutando. Poxa, muito obrigada. Vocês ajudaram uma jornalista em crise a se sentir melhor. Valeu mesmo!
Postado por Camilla
Domingo, dia 17 de agosto de 2008
Texto escrito para o Blorkutando
A mãe engravida. A mãe sofre na hora do parto. A mãe amamenta. E cadê o pai nessas horas? Por muitas vezes eu me perguntei qual era a verdadeira função do pai na educação. Sério, parei por vários momentos e deixei de pensar no clichê "meu pai é meu herói". O pai pode ajudar e trocar as fraldas do bebê, pode acompanhar as festinhas na escola e pode até levar a filha até o altar no dia do casamento dela. Mas tudo isso não parece um pouco vago?
A resposta é não. Alguém aí já viu a força que um pai tem que ter? Tudo bem que a mulher tem uma força sobrenatural na maternidade no dia do nascimento do filho e realmente deve ser uma dor quase insuportável. Mas o pai é quem deve chefiar a família, sustentar com trabalho e garantir o bem estar de todos. É muita responsabilidade, gente. Sei que em muitos lares não é assim, mas eu falo pensando no modelo típico de família.
Além da força, é impressionante a diferença entre um pai e uma mãe. A mãe é a superprotetora, por ela os filhos viveriam pra sempre com ela. O pai muitas vezes parece querer que o filho more sozinho, que aprenda a ser homem. E, como boa menina-mulher que sou, percebi outra grande diferença no quesito amor. A mãe até aceita um namorado novo, porque pensa sempre na felicidade do filha. O pai diz não. Diz não porque vai saber quem é o sujeito, vai saber o que ele quer com a queridinha dele. E quer saber, não acho que ele está errado.
No fundo o pai é uma mãe durona. Nos ama mais que tudo. Tem todo o carinho do mundo e quer nos proteger por toda a vida. Acontece que o pai tem que ser mais durão mesmo. Mas lá no fundo eu sei que o coração dele se derrete toda vez que o filho abre um sorriso. E agora eu aproveito para dedicar a homenagem e o 50º post do Borboleta para àquele que me inspirou a escrever estas linhas: o meu pai.
Postado por Camilla
Terça-feira, dia 12 de agosto de 2008
Vamos discutir a relação? Não não, nem vem com essa cara de “Mas que coisa chata”. Posso falar? Foi tudo culpa sua. Foi mesmo e você sabe disso. Tá bom, eu te olhei primeiro e pensei: “Nossa, que bonitinho”, mas isso não vem ao caso. Nunca pensei que sairíamos dessa paquerinha saudável. E quem resolveu colocar as garrinhas de fora foi você, meu bem.
Você foi o primeiro a puxar assunto. E foi simpático, mas é assim mesmo. Somos pessoas educadas e não tínhamos motivo algum para nos tratar de outra forma. Foi aí que começamos a descobrir como tínhamos muitas coisas em comum. Mas naquela época, eu gostava de outro e você não tinha a menor intenção de ter algo comigo. Ou tinha?
Não, não quero ouvir a sua voz. Fica quietinho que quem vai falar hoje sou eu. Me explica porque depois de um ano você reaparece do nada, em um sábado a noite, e começa a falar coisas que você nunca tinha falado antes? Era brincadeira né? Também pensei que sim, talvez seja por isso que eu me rendi aos seus encantos. Só que no dia seguinte você voltou a tocar no assunto, no outro dia também e assim foi. Por meses.
Eu sou bobinha e você sabe disso. Passava por uma fase difícil e disso você não fazia idéia. Não passava nem pelo seu pensamento o quanto aquilo tudo significava para mim. Já não era mais brincadeira, vai? Estava ficando sério. Eu tinha perdido totalmente a vergonha do seu lado e pensar que éramos quase como amantes… Só que aquela vontadinha normal que eu tinha ficou intensa.
Então chegou o dia de botar as nossas conversas em prática. Não vem fazer cara feia, queridinho, não vou deixar você falar hoje. Me pergunto até hoje se você sentiu o que eu senti. As vezes acho que sim, as vezes não. E quer saber? Já não me importa mais. Amor, você se queimou sozinho. Achou que ficaríamos para sempre conversando e nos provocando? Não. Talvez para você isso seja um costume, mas não para mim. E também não sei por que me preocupo tanto com isso, talvez por sermos tão telepáticos um com o outro.
Mas agora chega! A fila vai andar, benzinho. Pode levantar desse sofá. Levanta logo, caramba! Pega suas coisas lá em cima, mas não demora. Leva tudo, desde as roupas até as lembranças ruins. Deixa só as coisas boas e saudáveis que não vão mais causar dor. Pegou tudo, querido? Sim? Então volta aqui. Antes de você ir quero que você saiba que eu vou lembrar sempre de você. Você sabe quais são os nossos maiores problemas e se eu não te deixei falar é porque não quero cair de novo na sua conversa. A vida não se resume àquilo que fazíamos e fizemos, embora tenha sido realmente bom. Vou me preocupar agora comigo e só comigo. Espero que você faça o mesmo.
Adeus, Amor. Até um dia, não sei quando, mas até um dia. Quem sabe a gente não se esbarra por aí né?
Considerações Finais: Preciso dizer que eu também acho esse negócio de discutir a relação chato demais, mas já tem um tempo que eu escrevi esse texto e quando escrevi, passava por um período negro e precisava colocar pra fora tudo o que eu pensava. Nunca tive a oportunidade de ter a conversa e nem sei se eu teria na vida real. Mas depois que eu terminei de escrever, melhorei quase que no mesmo instante. A saudade aparece, claro. E as vezes até machuca, mas tenho aprendido a controlar qualquer sentimento que se manifeste em mim. E assim eu tenho levado a minha vida.
Postado por Camilla
Sexta-feira, dia 8 de agosto de 2008






